2021

experimento

40 minutos

livre

Dramaturgia: Eduardo Moreira e Bárbara Luz

pra quem viu a quase-peça, gostaria de explicar que jean surgiu como alguém que nos tiraria daqui. começou como uma brincadeira: um homem de cabelos bonitos. depois tornou-se uma mistura de todos ali. e então se transformou na utopia.

é bonito falar de utopia quando fazemos teatro. acredito que a utopia e o teatro são irmãos. acho que cabe falar disso tudo quando assistimos esses jovens da foto — famintos pela cultura, embriagados pelo fazer. quando assistimos letícia, matheus, daniel e rodrigo mudando o mundo e a história da forma mais delicada, e ao mesmo tempo, ardente que existe.

Bárbara Luz 

SOBRE A POSSIBILIDADE DAS BOMBAS DAREM UM FIM AOS DILEMAS DA HUMANIDADE.

Um manual de sobrevivência em tempos bicudos. Regra numero um: ater-se ao estritamente essencial, sem nada de excesso ou sobra. Um bom par de sapatos, algumas batatas, cigarros, bebidas, vícios e virtudes. Porque, afinal, ninguém é de ferro. A companhia de alguns patifes e outros tantos assassinos. Talvez as pessoas boas não tenham muito por que se meter com arte. Caso o artista queira produzir algo interessante, então precisa ter um demônio dentro dele. E, talvez seja prudente munir-se de bombas. Bombas capazes de nos despertarem de nossa permanente humana letargia. Assim, ser ou não ser é simplesmente uma questão de ser ou não capaz de agir. Enquanto as bombas nos trazem o sobressalto em meio aos estilhaços largados no decorrer da história, fica a certeza de que a revolução e a violência são incontroláveis. Ela se auto devora e destrói os seus filhos. E, apesar de todas as boas intenções e sentimentos, fica a certeza de que não há mesmo para onde fugir. O resto é silêncio.

Eduardo Moreira 

Das poucas coisas que catei antes de sair

equipe

“começamos como pequeno grupo
viramos um bando
quando encontraram nossos corpos
na praia
o delegado de polícia disse
são muitos
estão mortos
e conseguem fazer poesia
mesmo sem respirar”

é preciso agradecer cada nome desse bando
à amanda, por seu olhar cheio de aves, de árvores, de palhaças
à ana pimentinha, pelas dobraduras do afeto, do que carregamos ao sair pelas ruas
à bárbara, pelo socorro, amparo & diversão
à cacá, pelas verdades secretas e, sobretudo, pelo nosso ‘qzinho’
à gigi, por orquestrar e acomodar presenças
à ju oliveira, por confiar e viajar nas nossas maiores doiduras
à laís, pela coragem de iluminar trajetórias, e ainda mais, possibilidades